Entenda o que é doomscrolling, por que esse hábito prejudica a saúde mental, quais são os sinais de alerta e como reduzir o consumo excessivo de notícias e redes sociais.
Você abre o celular apenas para “dar uma olhadinha” nas redes sociais ou nas notícias. Quando percebe, já se passaram 40 minutos — ou até mais — consumindo uma sequência de conteúdos negativos.
Esse comportamento tem um nome: doomscrolling.
Cada vez mais comum, especialmente em períodos de crise, o doomscrolling pode aumentar a ansiedade, o estresse e a sensação de insegurança. Embora pareça uma tentativa de se manter informado, o excesso de notícias negativas pode gerar um ciclo de preocupação difícil de interromper.
Neste artigo, você vai entender o que é doomscrolling, por que ele acontece, quais são seus impactos na saúde mental e como desenvolver uma relação mais saudável com as informações e as redes sociais.
O termo doomscrolling é formado pela união das palavras inglesas doom (desgraça, tragédia) e scrolling (rolar a tela).
Ele descreve o hábito de consumir continuamente notícias negativas, conteúdos alarmantes ou publicações que despertam medo, preocupação e angústia, mesmo quando isso provoca sofrimento.
Na prática, a pessoa continua deslizando a tela do celular mesmo sabendo que aquele conteúdo está fazendo mal.
Esse comportamento costuma acontecer em:
Embora a intenção inicial seja se informar, o resultado costuma ser exatamente o oposto: aumento da ansiedade e sensação de sobrecarga emocional.
O cérebro humano foi desenvolvido para identificar ameaças e prestar mais atenção a informações potencialmente perigosas.
Esse mecanismo, importante para a sobrevivência ao longo da evolução, faz com que notícias negativas chamem mais nossa atenção do que conteúdos neutros ou positivos.
Além disso, as redes sociais utilizam algoritmos que priorizam conteúdos com maior potencial de engajamento — e emoções como medo, indignação e surpresa costumam gerar muitas interações.
O resultado é um ciclo como este:
➡️ Surge uma notícia preocupante.
➡️ A ansiedade aumenta.
➡️ A pessoa busca mais informações para tentar se sentir segura.
➡️ Encontra novas notícias negativas.
➡️ A ansiedade cresce ainda mais.
Sem perceber, ela permanece presa nesse padrão por longos períodos.
Consumir notícias faz parte da vida. O problema surge quando esse hábito começa a interferir no bem-estar emocional.
Alguns sinais merecem atenção:
Se esses sintomas persistem, pode ser um sinal de que o consumo de informações deixou de ser saudável.
👉 Leia também: 15 Sinais de Ansiedade Que Você Precisa Conhecer
O excesso de exposição a conteúdos negativos pode provocar diversos impactos emocionais.
Entre eles:
Em pessoas que já convivem com transtornos de ansiedade ou depressão, esse hábito pode intensificar os sintomas.
É importante lembrar que estar informado não significa consumir notícias durante todo o dia.
Romper esse ciclo exige pequenas mudanças de comportamento.
Algumas estratégias que costumam ajudar incluem:
✔️ Definir horários específicos para acompanhar notícias.
✔️ Evitar usar o celular logo ao acordar ou antes de dormir.
✔️ Limitar o tempo de uso das redes sociais.
✔️ Desativar notificações de aplicativos de notícias.
✔️ Seguir fontes confiáveis e evitar perfis sensacionalistas.
✔️ Alternar conteúdos informativos com atividades prazerosas.
✔️ Fazer pausas durante o uso do celular.
✔️ Praticar atividades físicas, hobbies e momentos de lazer offline.
Essas mudanças ajudam a diminuir a sobrecarga emocional sem abrir mão de estar bem informado.
👉 Leia também: Como Equilibrar o Uso das Redes Sociais e a Saúde Mental
Se o doomscrolling passou a fazer parte da rotina e está causando sofrimento emocional, pode ser importante procurar apoio profissional.
A psicoterapia pode ajudar quando a pessoa apresenta:
Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), é possível identificar os gatilhos que mantêm esse comportamento, modificar padrões de pensamento e desenvolver estratégias mais saudáveis para lidar com a ansiedade e o consumo de informações.
Não. O doomscrolling não é considerado um transtorno mental, mas um comportamento que pode contribuir para o aumento da ansiedade, do estresse e de outros problemas emocionais.
Porque o cérebro tende a prestar mais atenção às ameaças. Além disso, os algoritmos das redes sociais favorecem conteúdos que despertam emoções intensas, mantendo o usuário engajado por mais tempo.
Ele não é, necessariamente, a causa da ansiedade, mas pode intensificar sintomas em pessoas predispostas ou que já convivem com transtornos ansiosos.
Se você passa longos períodos consumindo notícias negativas, sente dificuldade para parar e percebe que isso aumenta seu sofrimento emocional, provavelmente esse comportamento merece atenção.
Sim. A psicoterapia, especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), ajuda a compreender os gatilhos do doomscrolling, reduzir a ansiedade e desenvolver hábitos digitais mais saudáveis.
O acesso à informação é importante, mas o excesso de notícias negativas pode transformar um hábito aparentemente inofensivo em uma fonte constante de ansiedade e desgaste emocional.
Desenvolver um consumo consciente de informações, estabelecer limites para o uso das redes sociais e investir em momentos de descanso são atitudes que ajudam a proteger a saúde mental.
💚 Lembre-se: informação é importante, mas informação sem limites também cansa a mente. Encontrar equilíbrio entre estar informado e cuidar do seu bem-estar é um passo essencial para uma vida mais saudável.
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